O Couro e o Curtume Brasileiro

A INDÚSTRIA

Os atributos naturais do couro, aliados à tecnologia, à pesquisa e à moda, resultam invariavelmente em artigos com a marca da beleza, da sofisticação e da qualidade. A indústria curtidora brasileira concebe, estação após estação, produtos cada vez mais eficientes e ligados à sustentabilidade para os mais exigentes mercados nacionais e internacionais. O couro brasileiro tem status qualitativo e também quantitativo, uma vez que país é um dos maiores produtores do mundo, com forte inserção nos segmentos moveleiro, calçadista e automotivo.

Atualmente, o Brasil conta com mais de 700 empresas ligadas à cadeia do couro, desde organizações familiares, até curtumes médios e grandes conglomerados corporativos do setor. Trata-se de um panorama muito profissional, pautado pela gestão responsável, em que os mais modernos meios tecnológicos são empregados para a otimização industrial, aprimoramento das condições de trabalho e redução de impactos ambientais. O setor do couro emprega atualmente mais de 50 mil trabalhadores e, parte desse contingente, dedica-se exclusivamente a ações para reciclagem de águas, descarte adequado de resíduos e melhora de processos, o que tem gerado resultados significativos nas últimas décadas.

A formação constante dos profissionais ligados à cadeia curtidora no Brasil é, sem dúvida, uma das responsáveis pelo aprimoramento em gestão e tecnologia que o país dispõe. Há excelentes escolas de curtimento, química e administração no Brasil, convergindo com a realização frequente de seminários, fóruns e congressos para debater e expor as melhores práticas em curtimento vigentes no mundo. Em 2011, o Brasil sediou o Congresso Mundial do Couro, com organização do CICB.

O PRODUTO

No produto de tantos esforços, tem-se um setor forte e fundamental para o equilíbrio da economia no país. Em 2011, couros e peles tiveram participação em 6,7% da balança comercial brasileira. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2012, esse índice chegou a 18,9%.

O grande volume das exportações de couros e peles no Brasil e seu respectivo crescimento na última década (passou de US$ 700 milhões em 2000 para US$ 2,2 bilhões em 2011) tem forte influência do programa Brazilian Leather, uma iniciativa do CICB e da Agência Brasileira de Promoção das Exportações (Apex-Brasil). O programa organiza a participação de industriais brasileiros em grandes feiras internacionais, projeta a imagem do couro brasileiro por meio de mídia especializada e ainda realiza pesquisas para manter o couro brasileiro sempre na dianteira das tendências do mercado mundial.

Os esforços se mantêm sempre constantes para que o país continue como uma referência em couros, mesmo lidando com possíveis reduções na competitividade internacional, oriundas principalmente de questões cambiais, créditos não devolvidos, altos tributos e juros, falhas na infraestrutura, a burocracia e os demais insumos embutidos no chamado “Custo Brasil”.

Para os próximos anos, uma série de projetos serão executados pelo CICB, contando com a coesão da indústria brasileira. Aliado com uma eficiente equipe de inteligência internacional, grupo de marketing e comunicação, além de profissionais para suporte em design e sustentabilidade, o CICB pretende expandir mercados, aprimorar produtos e crescer com a economia mundial. Missões empresariais em países considerados promissores para a compra de couro estão entre os projetos a serem executados ainda este ano, e que devem se repetir com a participação cada vez maior das companhias brasileiras.